quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Hábitos expatriados

Quando a gente mora fora, pega umas manias estranhas sem perceber. Daí volta pro país natal e se pega falando/fazendo coisas que ninguém entende. O povo olha pra gente com cara de "oi? hein?".

Segue lista:

1. Responder "Ya" no lugar de "Sim". No lugar de "sim" ou genéricos (ok, concordo, jóinha, certeza...). Esse hábito peguei em Angola. Não me pergunte o porquê de angolano usar essa expressão. Vai ver é herança comunista russa. Que Cuba e Rússia financiaram o "partido" que ganhou a Guerra Civil, néam? Num sei, mas desconfio que haja um bando de gente, achando que voltei de Londres sem saber falar "yéis"

2. Responder "Ainda" (e só) no lugar de "ainda não". Cri cri cri...
A gente que é brasileiro fica esperando pelo que vem em seguida: "ainda não", "ainda que...", "ainda mais..." "ainda assim...". Quando cheguei em Angola, isso me causou muita confusão. Eu perguntava "cicrano, tá pronto o layout do criente x?", e ele respondia "ainda". Ainda o quê, criatura? Me dava aquela agonia da tortura do Roger Rabbit: tan-tan-na-na-nan.... Num dá? Num dá um ruim? Até que alguém me esclareceu: se a resposta só puder ser sim ou não, "ainda", serve como não, afinal, não existe "ainda sim". Deu pra entender? Não? Ainda?

3. Olhar pros dois lados antes de atravessar a rua. Não é simplesmente normal! No meu caso, é falta de orientação. Porque, veja bem, em Londres, com essa história de mão inglesa, eu nunca sabia direito pra que lado olhar. Sempre rolava uma desnorteada. E, na dúvida, eu examinava o lado que parecia certo, o contrário, e vice versa. Daí, em estando em São Paulo, numa cidade aonde eu sei exatamente qual é a direção certa, ainda fico confusa. Parece que meu cérebro não confia mais no meu julgamento lógico. Logicamente.

4. Ficar surpresa quando entra alguém falando brasileiro no metrô. É que lá em Londres, a maioria das pessoas que entravam no tube nosso de cada dia, falavam inglês, né? Tinha muita gente falando línguas impronunciáveis, mas no meio, sempre tinha um brasileiro. Dava aquele felicidadezinha do "familiar", sabe? Daí, quando eu ando no metrô aqui, sinto a mesma felicidadezinha quando ouço alguém falando o meu idioma... até perceber que tá todo mundo falando o meu idioma. É força do hábito. Ou efeito retardado. Você escolhe.

5. Sempre esquecer o guarda-chuva. Morei 4 anos em Angola, lembra? Foram 4 anos de muito sol, muito calor, e muito pouca chuva. Adoooouro! Minha pele fica melhor. Meu cabelo me obedece. A chapinha agradece! Uma versão do paraíso! Já, aqui em São Paulo, a terra da garoa, só chove. Só chove! Dia sim, outro também! E eu me esqueci que era assim. Me esqueci dessa particularidade. Daí, cortei franjinha. O erro!!! Franjinha não orna com umidade. Tô uó!

A princípio, é só disso que me lembro. Mas a lista é grande, hein? Tende a aumentar.

8 comentários:

  1. hehehe Eu não peguei (ainda) o hábito do "yah" e do "ainda" e acho que o meu cabelo fica horrível aqui, mas quem sabe um dia eu sentirei falta. Pelo menos do hábito de não usar mais guarda-chuva. ;) Agora, uma coisa, eu não entendi. No teu perfil fala que estás em Londres, mas o teu texto fala em SP. Estás de férias no Brasil ou mudaste e o perfil tá desatualizado? Bjos, Gis

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    1. Estou entre países, Gis, onde tudo pode acontecer!

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  2. Em Lisboa muita gente diz "ya" tb. E olhar sempre para os dois lados antes de atravessar uma rua, mesmo em locais de um sentido de direção, é bom pq evita surpresas com ciclistas na contra-mão.
    Aqui em casa pouco uso termos portugueses para nomear coisas. Uso o bom e velho português-tupiniquim. Marido chama fácil frigorífico de geladeira e casa de banho de banheiro.
    Bjks. :)

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    1. Mas não é um simples "olhar pros dois lados", é olhar desorientada, sem fazer idéia de donde vem um carro, sabe? Eu sei, difícil de explicar... olhar pros dois lados, eu sempre olhei, mas essa é uma sensação diferente. Hwhehe

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  3. O YA também é usado em outros países africanos; aprendi a olhar para os dois lados em Assis - SP. Tem muita gente dirigindo na contra-mão por lá (se bem que tinha um trecho no início da Consolação que tinha dusa pistas, separadas por uma calçada. Numa das pistas era mão dupla. Quem atravessava olhando pra um lado só...). Conheci uns angolanos que dizem "não sim". E fiquei sem entender.

    :)

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